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Maqueta em movimento de serra




Maqueta em movimento de batão




Maqueta em movimento de maço


Para comunicar duas ribeiras separadas por um curso de água levantaram-se desde a época dos romanos as muito comuns pontes em cantaria e em madeira. Quando são simples pedras no rio onde apoiar os pés -sem calçada superior- falamos de passares ou peares.


Os cereais precisos para a manutenção humana e da cabana ganadeira trituram-se coa força da água nos moinhos. Segundo levem roda horizontal ou vertical temos moinhos de rodízio e azenhas. Desde tempos medievais todos os rios, desde os de menor caudal até os grandes, contaram com construções para moer grãos.


Engenhos hidráulicos para bater no ferro, valendo-se da energia da água em caída, são os maços. Abondam nas ferrarias do Lugo Oriental desde a dominação romana até o século XIX. Para o trabalho do linho era empregado o maçadoiro no rio Ulha, e o batão, folão ou pissão para o acabado das peças de tear, além de construções para curtidos, uma proto-industria muito importante na Idade Moderna.


A força da água dos rios também move serras dentadas para o corte da madeira -troncos muitas vezes transportada pela mesma corrente-, empregadas com intensidade no rio Úmia. Mais comum no século XX era levantar plantas, referidas como fábricas da luz, que transformam a energia mecânica em eléctrica usando a dínamo.


Para a pesca fluvial as águas eram conduzidas para obter os peixes com armações (forcado, arco, botirão, cabaceira, redeiro...). São os caneiros e pesqueiras dos nossos rios, levantados com castrejos e romanos. Presentam construções anexas, abrigo para os pescadores. Lembramos que peixes apreçados, como a lampreia ou enguias, eram capturados nas pesqueiras.


As represas servem para conter e regular a água dos rios usando comportas, que permitem regar os cultivos em áreas secas, melhorando a produção agrária. E para os engenhos, como os moinhos e os maços, erigem-se igualmente represas e canais nos rios.


A defesa das populações limítrofes com os rios, regulando as enchentes, era confiada aos malecões. Além de evitar as cheias nas vilas, podem contar com rampas, cais ou embarcadoiros para o trabalho -pesca e transporte fluvial- e para o tempo de lazer.


Lavar a roupa foi uma profissão no passado, em tábuas moveis, em eventuais lousas inclinadas ou em edificação estável junto a corrente fluvial. São os lavadoiros uma lembrança de outros usos domésticos dos rios, fonte natural de água para as vivendas em estiagem.




Os rios tiveram que salvar-se -pontes, passares, embarcadoiros-, e mesmo proteger-se das enchentes, mas a energia da água em caída fora aproveitada para mover engenhos como moinhos ou maços, e também as águas mansas empregadas para regar, pescar e usos domésticos.


Aprendemos do passado, conhecendo os usos sustentáveis dos recursos, para construir um porvir em harmonia com o meio natural e cultural.




Ponte em Nogueira de Ramuim
Engenhos da água

ILUSTRAÇÕES E TEXTO: MAQUETAS EM MOVIMENTO DE BARCAS DO MINHO
(DA MOSTRA ITINERANTE Património Fluvial)



Barcas do Minho